A Biblioteca Municipal de Viana do Castelo foi o palco do lançamento do livro “Garrano: o bravo cavalo das montanhas”, edição em português e inglês, lançado no âmbito do projeto “Percurso do Homem e do Garrano”. O livro apresenta as origens da raça, as caraterísticas do garrano, dinâmicas sociais em estado selvagem, o domínio do território e a mobilidade, abordando ainda a alimentação e a reprodução, até chegar ao garrano enquanto aliado das comunidades rurais do Alto Minho.
O livro assume-se como mais uma oportunidade para aprofundar e debater o conhecimento sobre esta raça, contribuir para a abertura de novas perspetivas para o turismo equestre e estimular a adoção de boas práticas de gestão do habitat do garrano, designadamente nas serras de Arga e Santa Luzia.
Os garranos são animais de pequena estatura, com peso aproximado de 290 quilos, de perfil de cabeça reto ou côncavo, cabeça fina e grande, principalmente nos machos, onde se destacam amplas narinas. O pescoço curto é bem musculado, a garupa é forte e larga e os membros são pequenos e fortes. A pelagem é castanho-escura, sendo a crina e a cauda pretas e muito densas. Embora não apresente manchas, pode ter tons mais claros no focinho, ventre e membros.
Sendo o garrano um cavalo pequeno, apresenta uma sólida estrutura e andamento curto, transmitindo uma elevada segurança, típica de um animal habituado a enfrentar caminhos íngremes e pedregosos. Tal como outros cavalos de pequena estatura, o garrano apresenta um andamento artificial, denominado de andadura.
O projeto “Percursos do Homem e do Garrano”, financiado pelo Norte 2020 - Património Natural, foi desenvolvido pelo município de Viana do Castelo ao longo dos últimos dois anos, através da implementação de diversas ações e iniciativas, com o objetivo de valorizar esta raça autóctone e aumentar a visitação turística das áreas classificadas da Rede Natura 2000, através da expansão e diversificação de modalidades da rede de percursos de natureza.
Foram, assim, criados três percursos equestres e um novo trilho pedestre, com interpretação conjugada do património natural e histórico-cultural, valorizando o caráter único do seu mosaico paisagístico. Estes percursos representaram ainda novas oportunidades para as empresas de Turismo de natureza, Turismo em espaço rural e Touring cultural e paisagístico.
Em paralelo, pretendeu-se contribuir para o reconhecimento do garrano como raça autóctone e as serras de Arga e de Santa Luzia como espaço privilegiado para a sua observação. Procurou-se ainda incrementar a informação das populações locais sobre o valor cultural e natural do garrano, através de ações de educação ambiental e de divulgação.
Neste âmbito, Viana do Castelo integra um projeto mais vasto, que associa a Universidade da Sorbonne, a Universidade de Kyoto e a Universidade de Coimbra, parceiros científicos que irão continuar a desenvolver trabalho de investigação neste território. A projeção da importância do garrano nas suas múltiplas dimensões necessita de estudos científicos profundos e contínuos, de um debate alargado, da criação de redes de cooperação interinstitucionais e da aposta em ações de divulgação, sensibilização e demonstração que promovam as qualidades e apetências da raça.